
O Som das Folhas que Falam
Era uma manhã fresca no bosque. O sol espreitava entre os ramos e o chão estava coberto de folhas castanhas, douradas e avermelhadas. Eu caminhava lentamente, sentindo o chão macio debaixo das patas… quando ouvi algo curioso.
Shhh… frrr… shhh… Parei e inclinei a cabeça. O vento passava pelas folhas caídas… mas não era apenas vento. Parecia um sussurro.
Sentei-me ao pé de um grande carvalho e fiquei em silêncio. As folhas dançavam no chão, rodopiando umas nas outras. Fechei os olhos e percebi: cada folha tinha o seu próprio som — umas suaves, outras secas, umas rápidas, outras lentas.
As folhas falavam do tempo em que estavam nas árvores, do sol que as aqueceu, da chuva que as fez crescer e do momento certo em que deixaram o ramo para descansar no chão.
Quase respondi em voz alta… mas parei. Algo dentro de mim disse: agora não é hora de falar, é hora de ouvir. Fiquei ali, quietinho, só a escutar.
Antes de ir embora, uma folha pousou mesmo à frente da minha pata. Inclinei-me e sussurrei: obrigado por falarem comigo. E o vento respondeu com um último shhhhhh… como quem diz: volta sempre.