
O Segredo do Tronco Oco
Numa manhã tranquila, enquanto caminhava perto do riacho, ouvi vozes agitadas vindas de trás das amoreiras. Vários esquilinhos chamavam por mim, todos ao mesmo tempo.
Aproximei-me devagar e vi-os reunidos à volta de um tronco velho, grande e oco. O tronco fazia um som estranho sempre que o vento soprava: uuuuh… huuuh…
Ficámos todos em silêncio. O vento passou outra vez… huuuh… uuuuh…
Inclinei-me com cuidado e olhei lá para dentro, sem meter a pata. Houve um silêncio. Depois, dois olhinhos redondos brilharam no fundo. Piu…
Era um mocho bebé, a tremer, escondido nas sombras do tronco. O vento fazia eco, e ele pensava que ninguém o ia ouvir.
Os esquilos recuaram um passo e pediram desculpa baixinho. O mocho relaxou as penas e agradeceu por falarem devagar com ele. Sentámo-nos ali um pouco, apenas a ouvir o vento passar pelo tronco — agora o som já não parecia assustador, parecia protetor.